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Andréa Pontes

Paracanoagem / Esporte · UNA Parque · Acessibilidade

Direito ao esporte: paracanoagem como porta de entrada à reabilitação

A paracanoagem une terapia, alto rendimento e inclusão. Como começar no DF, equipamentos disponíveis e por que a modalidade é estratégica para pessoas com deficiência.

Por Andréa Pontes ·
Andréa Pontes com medalha

A paracanoagem é uma das modalidades paralímpicas que mais cresce no Brasil. Combina baixa barreira de entrada — qualquer pessoa com deficiência física pode iniciar — com elevado potencial de progressão, do treino terapêutico ao alto rendimento. No Distrito Federal, o Lago Paranoá e o UNA Parque tornaram-se referências nacionais para iniciantes e atletas avançados. Andréa Pontes, Campeã Mundial em 2023, começou em 2014 nesses mesmos espaços. Sua trajetória ilustra como a modalidade funciona como porta de entrada para a reabilitação física e psicológica.

O que é paracanoagem

Paracanoagem é a versão adaptada da canoagem para pessoas com deficiência física. Utiliza embarcações específicas — caiaques (com pagaia de duas pás) e va'a (canoa polinésia, com pagaia de uma pá) — e classifica os atletas em três categorias funcionais: KL1 e VL1 para deficiências mais severas, KL2/VL2 intermediárias e KL3/VL3 para deficiências leves. As provas oficiais variam de 200 metros (provas paralímpicas) a 500 metros e mais. O esporte é regulado pela Federação Internacional de Canoagem (ICF).

O papel terapêutico

Em estágios iniciais, a paracanoagem cumpre função terapêutica clara. O remo trabalha grupos musculares do tronco superior — peito, costas, ombros, braços — fundamentais para quem usa cadeira de rodas. Melhora postura, capacidade cardiorrespiratória e propriocepção. O contato com a água tem efeito calmante documentado em literatura científica, ajudando no manejo de quadros de ansiedade e depressão comuns no pós-lesão. Para muitas pessoas, a primeira sessão de paracanoagem é o ponto em que percebem que o corpo ainda tem capacidades a explorar.

Quem pode praticar

A modalidade acolhe um espectro amplo de deficiências: amputados de membros inferiores e superiores, paraplégicos, tetraplégicos com função parcial de braços, pessoas com deficiência visual (com auxílio de guia), pessoas com sequelas de acidente vascular cerebral e pessoas com paralisia cerebral em níveis compatíveis com a prática. A adaptação se faz por meio de assentos especiais, almofadas, faixas de fixação e, em alguns casos, próteses de remo. O critério é funcional: a pessoa precisa conseguir transferir-se para a embarcação com algum auxílio.

Onde praticar no Distrito Federal

O DF concentra três pontos principais: o Lago Paranoá, onde funcionam clubes náuticos e a Associação Brasília Paracanoagem; o UNA Parque, no Lago Norte, com paracanoagem entre as nove atividades adaptadas gratuitas; e o complexo do Iate Clube de Brasília, com programa de iniciação. A Associação Brasília Paracanoagem é o principal canal de iniciação esportiva e formação de atletas para competições. O UNA Parque, por sua vez, é a porta de entrada para quem busca primeiro contato sem compromisso competitivo.

Como começar

O caminho prático envolve cinco passos. Primeiro, agendar uma visita a um dos pontos acima — todos oferecem aula experimental gratuita. Segundo, obter laudo médico simples atestando aptidão para atividade aquática (a maioria dos clubes solicita). Terceiro, providenciar roupa de banho, protetor solar, óculos esportivo e calçado fechado. Quarto, comparecer ao local com tempo para cadastro e familiarização com a embarcação no seco. Quinto, iniciar sessões regulares, ideal duas a três vezes por semana, sob orientação técnica. O custo varia de zero (UNA Parque) a mensalidades acessíveis em clubes.

Do iniciante ao alto rendimento

A trajetória de Andréa Pontes prova que o progresso é possível para quem se dedica. Em 2014, treinava como iniciante no Lago Paranoá, recém-egressa do vôlei. Em poucos anos, integrou a seleção brasileira. Em 2023, foi Campeã Mundial. Ao longo do caminho, conquistou medalhas em Mundiais, Pan-Americanos e competições nacionais. O ponto crucial é que essa trajetória começou exatamente nos espaços hoje abertos a qualquer iniciante. A diferença entre o atleta de alto rendimento e o praticante recreativo é a frequência, a disciplina e o acompanhamento técnico — não um talento inacessível.

Andréa Pontes defende que a paracanoagem deveria ser política pública de reabilitação. Hospitais e centros de fisioterapia poderiam encaminhar pacientes elegíveis para programas iniciais, acelerando recuperação física e ganhos emocionais. O custo é baixo, o benefício é alto, e o modelo já existe — falta integração entre o sistema de saúde e os equipamentos esportivos disponíveis. É uma agenda concreta para o DF, e a base de toda a militância de Andréa Pontes pela ampliação do esporte adaptado como direito.

Perguntas frequentes

Como começar a praticar paracanoagem no DF?
Procure a Associação Brasília Paracanoagem, no Lago Paranoá, ou o UNA Parque, no Lago Norte. Ambos oferecem aula experimental gratuita. É preciso laudo médico simples e disposição para sessões regulares.
Quais deficiências podem praticar paracanoagem?
Amputados, paraplégicos, tetraplégicos com função parcial de braços, pessoas com deficiência visual (com guia), pessoas com sequelas de AVC e paralisia cerebral em níveis compatíveis. O critério é funcional: conseguir transferir-se para a embarcação com algum auxílio.
É possível chegar ao alto rendimento na paracanoagem?
Sim. Andréa Pontes começou como iniciante no Lago Paranoá em 2014 e foi Campeã Mundial em 2023. A diferença entre praticante e atleta é frequência de treino e acompanhamento técnico, não talento inacessível.
Quanto custa praticar paracanoagem no DF?
Varia de zero (UNA Parque, gratuito) a mensalidades acessíveis em clubes náuticos do Lago Paranoá. Equipamentos costumam ser cedidos pelo clube ou associação na fase de iniciação.